viernes, 15 de marzo de 2013

AS REVELAÇÕES DIVINAS AOS HOMENS





Moisés e a Primeira Revelação

MOISÉS: Em Moisés vamos encontrar o grande legislador hebreu saturando-se de todos os conhecimentos iniciáticos, no Egito antigo, onde o seu Espírito recebeu primorosa educação à sombra do prestígio de Termútis, cuja caridade fraterna o recolhera.

Moisés, na sua qualidade de mensageiro do Divino Mestre, procura então concentrar o seu povo para a grande jornada em busca da terra prometida. Médium extraordinário, realiza grandes feitos ante os seus irmãos e companheiros maravilhados.

A história de Moisés inicia-se quando ele assassina um egípcio por vê-lo maltratar hebreus. Temendo a perseguição do faraó, foge para a terra de Madiã, ou seja em direção ao Oriente, a Leste do golfo de Akaba, para junto de seus ancestrais.

Nesta terra, chamada de "Terra dos forjadores de cobre", Moisés vivia uma vida tranqüila, apascentando ovelhas, quando certo dia, passando pelo Monte Horeb teve a visão, a se manifestar através de uma chama de fogo que saia do meio de uma sarça. Por meio desta visão, Moisés compreendeu que o povo judeu sofria no Egito, mesmo após a morte do faraó, e que deveria liberta-lo do cativeiro.

Moisés liberta seu povo às custas de enormes sacrifícios e amparado pelos prodigiosos dons mediúnicos que possuía. Finalmente, Moisés, tendo convocado os anciãos de Israel, recordou-lhes o Deus único, no qual formavam uma só nação: O Deus, que prometia livrá-los pelo braço poderoso e fazer deles o seu povo; exortou-os então a sair com ele do Egito.

As dificuldades de Moisés - A vida e missão de Moisés não foram fáceis; ao contrário, cheias de tribulações, traições e desconfianças. Por muitas vezes, Israel demonstrou não ter confiança no poder salvador de seu Deus, tanto que desobedeceu aos mandamentos e rejeitou a liderança de Deus ao rebelar-se contra Moisés. A própria família de Moisés o abandonou: o que é provado pela fraqueza de Aarão (seu irmão) no caso do bezerro de ouro (Êxodo - 32:1 seg, 21). Grande, no entanto, era a mansidão e longanimidade de Moisés em meio a tudo isso (Números - 12:3). Além de um líder autentico, foi também grande legislador e lúcido profeta.

Ele foi chamado por Deus (Êxodo - 03: 01, 4:17) não apenas para conduzir o povo de Israel para fora da escravidão, mas igualmente para tornar conhecida a vontade de Deus. E foi isso que fez na comunicação dos mandamentos.

Devido a esses aspectos abordados, fica claro que na Lei Mosaica, há duas partes distintas: a Lei de Deus, promulgada no Monte Sinai, e a Lei Civil ou disciplinar, decretada por Moisés. Uma é invariável, a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo.

Deus é único e Moisés é o Espirito que Ele enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos Hebreus, como também dos povos pagãos. O povo Hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas e, as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade. 

A Lei Mosaica - Moisés a decretou, por se ver obrigado a conter, pelo temor, um povo em seu natural turbulento e indisciplinado estado, tendo ele que combater arraigados abusos e preconceitos adquiridos durante a escravidão no Egito. Para imprimir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir origem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. As leis mosaicas, propriamente ditas, revestiam-se, pois, de um caráter essencialmente transitório.

A Morte de Moisés - Moisés subiu das estepes de Moab para o monte Nebo, ao cume do Fasga, que está diante de Jericó. E Deus mostrou-lhe toda a terra e disse-lhe: "Esta é a terra que, sob juramento, prometi a Abraão , Isaac e Jacó; "Eu a darei à tua descendência. Eu a mostrei aos teus olhos; tu, porém, não atravessarás para lá".

Moisés, o servo de Deus, morreu ali mesmo, na terra de Moab, conforme a palavra de Deus e, nesse mesmo local foi sepultado, porém, até hoje ninguém sabe onde é sua sepultura. Embora tendo cento e vinte anos quando morreu, sua vista não havia enfraquecido e seu vigor não se esgotara .

E em Israel, nunca mais surgiu um profeta como Moisés, a quem Deus conhecia face-a-face, seja por todos os sinais e prodígios que Deus mandou realizar na terra do Egito, contra o Faraó, contra todos os seus servidores e toda a terra, seja pela mão forte e por todos os feitos grandiosos e terríveis que Moisés realizou aos olhos de Israel. (Deuteronômio, 34).

Ä Os Mandamentos da Lei de Deus: 

Os mandamentos de Deus, dados por intermédios de Moisés, contém o gérmen da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido, porque, pela falta de compreensão e entendimento à época, não poderiam ser praticados em toda a sua pureza. Mas, nem por isso, os Dez Mandamentos de Deus deixaram de ser aquela fachada brilhante, qual farol destinado a clarear a estrada que a humanidade deveria percorrer.


A Lei de Deus está formulada nos Dez Mandamentos seguintes:

I Eu sou o senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis, diante de mim outros deuses estrangeiros. Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não adorareis e não prestareis culto soberano.

II Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.

III Lembrai de santificar o dia de sábado.

IV Honrai vosso pai e vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o senhor vosso Deus vos dará.

V Não mateis.

VI Não cometais adultério.

VII Não roubeis.

VIII Não prestais falso testemunho contra o vosso próximo.

IX Não desejais a mulher do vosso próximo.

X Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.

A autoridade do homem precisava apoiar-se na autoridade de Deus; mas, só a idéia de um Deus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, em as quais ainda pouco desenvolvidos se encontravam o senso moral e sentimento de uma justiça reta. É evidente que aquele que incluíra, entre os seus mandamentos, este:" Não matareis, Não causareis dano ao vosso próximo" não poderia contradizer-se, fazendo da exterminação um dever. As leis mosaicas, propriamente ditas, revestiam-se de um caráter essencialmente transitório.


Ä Jesus o Messias esperado pelo povo Judeu

CRISTO- O Cristo veio trazer ao mundo fundamentos eternos da verdade e do amor. Combateu pacificamente todas as violências oficias do judaísmo, renovando a Lei Antiga com a doutrina do esclarecimento, da tolerância e do perdão.

Jesus veio ao mundo como profetizou Isaias, fazer raiar a luz aos que se achavam na região da morte: dar crença aos que não a tinham, guiar os que se haviam perdido e se achavam desviados da Estrada da vida, finalmente apresentar-se a rodos como o Modelo , o Paradigma, o Enviado de Deus, o único Mestre capaz de legar um ensino puro e perfeito, o verdadeiro representante da Verdade que redime e salva. Daí a sua sentença : Eu sou o Caminho , a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim."( João, 14:06)

Descendo de Esfera Superior, em tal missão, Jesus surgiu à face da Terra, não entre sedas e alabastros, mas em humílima e tosca estrebaria. 

Mal descerrara os olhos na penumbra deste mundo, foi constrangido a fugir, para resguardar-se da fúria sanguinolenta de Herodes.

Apresentando-se como o Messias anunciado pelos profetas da antigüidade foi recebido com desconfiança, até por João Batista, o precursor , que enviou dois de seus emissários para saberem se era realmente ele, o esperado Filho de Deus. Iniciando a pregação do reino do céu, não conseguiu o entendimento imediato nem mesmo de seus discípulos. 


A Simplicidade - Deve-se ressaltar a extrema simplicidade, a completa humildade, o desprendimento, a singeleza que marcou a sua presença e o seu messianato neste mundo. Nada possuiu de material, nenhum dinheiro, nenhum bem. Cercou-se da gente mais inculta de um povo social e politicamente subjugado. Falou sempre na linguagem mais simples que alguém jamais usou e sem nada ter escrito com suas próprias mãos, tudo deixou registrado no coração e na memória dos que lhe ouviram a palavra e testemunharam o seu exemplo. Não teve diploma de escolaridade, foi coroado de espinhos, publicamente açoitado, e finalmente pregado como infame. Desta forma se apresentando e assim agindo, dividiu as eras terrestres em antes e depois d’Ele, como ninguém jamais o fez, permanecendo para sempre como a maior presença , o mais alto marco de toda a História Humana, em todas as épocas.


A Espera - O povo Judeu aguardava ansiosamente um Messias que o libertasse do jugo de Roma. A verdade, porém, é que Jesus chegando ao mundo não foi absolutamente compreendido pelo povo Judeu. Segundo a sua concepção, o Senhor deveria chegar em magnífico carro, e que deveria humilhar todos os reis do mundo. Mas Jesus chega humilde entre os animais de uma manjedoura, vem filho de carpinteiro e, durante sua missão, busca os fracos, os oprimidos, os sofredores de toda a sorte. 

Houve, porém, muitos que o reconheceram como o Messias anunciado pelos profetas da antigüidade, pelos judeus. Entre eles destacam-se aqueles que se tornariam seus discípulos mais tarde, apóstolos e seguidores. O próprio Jesus em diversas ocasiões, afirma ser ele o enviado de Deus.

"Quem quer que me receba, recebe aquele que me enviou" ( Lucas - 9: 48);

"Aquele que despreza, despreza aquele que me enviou. ( Lucas - 10:16);

"Aquele que me recebe não recebe a mim mas àquele que me enviou. ( Marcos - 9:37) .


Ä Os Evangelhos

Cerne doutrinário do Cristianismo, contém aspectos da biografia terrena de Jesus Cristo e seus principais ensinamentos de caráter moral, coligidos segundo informações de Mateus, Marcos, Lucas e João. 

Cristo nada escreveu. Suas palavras, disseminadas ao longo dos caminhos, foram transmitidas de boca em boca e, posteriormente, transcritas em diferentes épocas, muito tempo depois da sua morte. Uma tradição religiosa popular formou-se pouco a pouco, tradição esta que sofreu constante evolução até o séc. lV .

Mateus e João, discípulos diretos, de contato pessoal com o Mestre, escreveram respectivamente em hebraico e em grego; 

Marcos e Lucas, ambos em grego, o primeiro transmitindo reminiscências de Pedro apóstolo, o segundo investigando e recolhendo por via indireta. Harmonizam-se os quatro textos num todo orgânico, composto sem acomodações sob inspiração mediúnica, cujo influxo não derrogou a liberdade volitiva e os pendores psíquicos: 

Mateus - pode-se caracterizar como um drama em sete atos sobre a vinda do Reino dos Céus: - Seus preparativos na pessoa do Messias menino; a promulgação do seu programa; diante dos discípulos e do povo; no Sermão da montanha; menosprezado funcionário, atende ao aceno do novo chefe e nele passa a vislumbrar o diretor supremo; o rei em nomenclatura humana, embora ao nível de "reino do céu". 

Marcos - escreve num estilo mais áspero, cheio de aramaismo e muitas vezes incorreto, mais impulsivo e de vivacidade popular cheia de encanto. atemorizado quando jovem com a intensidade da tarefa, sublima depois em Jesus o servo incansável, paradigma da fraternidade as serviço divino; 

Lucas - mais intelectualizado, pesquisador do pretérito e analista do futuro, apresenta Jesus como entidade imaculada, presa pela genealogia ao pai Adão, porém subtraída ao pecado pela redenção no Pai Criador; 

João - mais espiritualizado, portanto mais próximo da essência, tem os olhos de ver Jesus a entidade celestial, o verbo mesmo de Deus, não apenas o "Rei", o "Servo", o "homem", sinopses de biografia terrena." O evangelho de João além de ser mais complexo é dirigido aos cristãos em geral. A obra Joanina apresenta traços que lhe são próprios e a distinguem claramente dos evangelhos sinóticos (resumidos). Seu autor parece ter sofrido influencia bastante forte duma corrente de pensamento amplamente difundida em certos círculos do judaísmo, cuja expressão se redescobriu recentemente nos documentos essênios de Qumrã. Nele se atribuía importância especial ao conhecimento.


Ä Os Livros do Novo Testamento

Atos dos Apóstolos - continuação do Evangelho, após o episódio do Calvário. Atribuída a Lucas, nela se destaca o papel de Pedro, mormente o de Paulo. 

As Epistolas - salvou-se do olvido o pequeno acervo de cartas enviadas pelos Apóstolos Paulo, Tiago (menor), Pedro, João (Evangelista) e Judas (Tadeu). Somente as de Paulo se conhecem por titulo, conforme distinção: aos Romanos, aos Corintios (l, ll), aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossences, aos Tessalonicenses ( l, ll), a Timóteo, a Tito, a Filêmon, aos Hebreus. As demais, dirigidas a todos os fiéis, são chamadas Católicas ou Universais.

Apocalipse- O Apocalipse, que significa revelação, foi escrito pelo Apóstolo e Evangelista João quando se encontrava desterrado na ilha de Patmos. O Apocalipse é um livro de visões místicas onde é difícil definir exatamente a fronteira que separa o gênero apocalíptico do profético, mas enquanto os antigos profetas ouviam as revelações divinas e as transmitiam oralmente, o autor de um apocalipse recebia suas revelações em forma de visões, que ele consignava num livro. Por outro lado, tais visões não têm valor por si mesmas, mas pelo simbolismo que encerram. O apocalipse de João tem singular importância para os destinos da humanidade terrestre. (É o que nos fala Emmanuel).


Ä A Moral Cristã

"(...) Jesus foi o maior revolucionário que apareceu no mundo.

Espírito incomparável em sabedoria e em virtudes, foi Ele escolhido no Conselho Supremo para trazer a Lei da Reforma Social à Terra, para que possam imperar na sociedade, nas nações, os preceitos de amor recíproco em plena atividade para a evolução da Humanidade. (...)" 

"(...) A Revolução Cristã e a execração do ódio e a proclamação do Amor; é a bandeira da Fraternidade Universal, flutuando na Inteligência,. sob a paternidade de Deus

"(...) Qual a verdadeira doutrina do Cristo? Os seus princípios essenciais acham-se claramente enunciados no Evangelho. Ë a paternidade universal de Deus e a fraternidade dos homens, com as consequências morais que daí resultam; é a vida imortal a todos franqueada e que a cada um permite em si próprio realizar "o Reino de Deus", isto e, a perfeição, pelo desprendimento dos bens materiais, pelo perdão das injurias e amor ao próximo."

Para Jesus, numa só palavra, toda religião, toda a filosofia consiste no Amor:

"Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam (...)". 

"(...) Sob a suave e meiga palavra. de Jesus, toda impregnada do sentimento da natureza, essa doutrina se reveste de um encanto irresistível, penetrante. Ela é saturada de terna solicitude pelos fracos e pelos deserdados e a glorificação, a exaltação da pobreza e da simplicidade. Os bens materiais nos tornam escravos; agrilhoam o homem a Terra. A riqueza é um estorvo; impede os voos da alma e a retém longe do "Reino de Deus". A renuncia, a humildade, desatam esses laços e facilitam a ascensão para a luz.

Por isso é que a doutrina evangélica permaneceu através dos séculos como a expressão máxima do espiritualismo, o supremo remédio aos males terrestres, a consolação das almas aflitas nesta travessia da vida, semeada de tantas lágrimas e angústias. (...)" 

"(...) A Boa Nova ressuma esperança, pois é a história do homem angustiado, batendo e Jesus respondendo, em forma de socorro lenitificador incessante, como dádiva de Deus para a libertação do ser". 

A Moral - Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade; o orgulho e o egoísmo Ele não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

Sendo caridosos e humildes estaremos vivenciando o cristianismo no seu sentido mais amplo que é a prática da lei do amor.

Definição da Moral Cristã - É a aplicação dos princípios curativos e regeneradores do Médico Divino. Esses princípios começam na humildade da manjedoura, com escalas pelo serviço ativo do Reino de Deus, com o auxilio fraterno aos semelhantes, com a adaptação à simplicidade e à verdade, com o perdão aos outros, com a cruz dos testemunhos pessoais, com a ressurreição do espirito, com o prosseguimento da obra redentora através da abnegação e da renuncia, da longanimidade e da perseverança no bem até o fim da luta, terminando na Jerusalém libertada, símbolo da humanidade redimida.


Ä A Preparação Espiritual da Terra para receber Jesus 

É de se imaginar que a vinda do Cristo entre nós envolveu intenso trabalho por parte de todos aqueles espíritos convocados a participar da sua gloriosa missão. Cada um desses espíritos recebeu uma tarefa específica, de devotamento e amor , a fim de facilitar a vinda do Diretor Espiritual da terra aos planos inferiores.

Inicialmente Jesus envia às sociedade do globo o esforço de auxiliares valorosos, nas figuras de Ésquilo, Euripedes, Heródoto, Tucidides e de Sócrates. Na China encontramos Fo-HI, Láo Tsé, Confúcio, e no Tibet Buda, no Pentateuco Moisés e no Alcorão vemos Maomet. Cada raça recebeu os seu instrutores.

A aproximação e a presença consoladora do Divino Mestre no mundo era motivo para que todos os corações experimentassem uma vida nova, ainda que ignorassem a fonte divina daquelas vibrações confortadoras.

É então que se movimentam as entidades angélicas do sistema, nas proximidades da terra, adotando providências de vasta e generosa importância. A lição do salvador deveria, agora, resplandecer para os homens, controlando-lhes a liberdade com a exemplificação perfeita do amor. Todas as providencias são levadas a efeito. Escolhem-se os instrutores, os precursores imediatos, os auxiliares Divinos. Uma atividade única registra-se , então, nas esferas mais próximas do planeta, e, quando reinava Augusto, na sede do governo do mundo, viu-se uma noite cheia de luzes e de estrelas maravilhosas. Harmonias divinas cantavam um hino de sublimadas esperanças no coração dos homens e da natureza. A manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade, e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a "Noite silenciosa, Noite Santa ".

A CRIAÇÃO DIVINA


Elementos Gerais do Universo : Espírito e Matéria 


Na Parte 1.ª, Cap. II, de "O livro dos Espíritos (1.857), que trata dos Elementos Gerais do Universo, encontramos como resposta à questão 27 que: Deus, Espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, sendo que esta pode ser considerada a trindade Universal.


Complementando porém esta questão, nos é ensinado que: "Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal (grifo nosso), que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se destingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e suscetível pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá." 

Espírito: Na parte 1.ª Cap. II – Dos elementos Gerais do Universo, de "O Livro dos Espíritos" (1.857), questão 23, é perguntado: "Que é o Espírito?" a que a Espiritualidade responde: "O princípio inteligente do Universo".

a) Qual a natureza íntima do Espírito? R. "Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe."


Na Parte 2.ª, Cap. I – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos, questão n 76, é solicitado à Espiritualidade uma definição dos Espíritos, ao que é respondido: "Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material". A esta resposta, Kardec emite a seguinte nota: "A palavra Espírito é empregada aqui para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo". 


Matéria: Analisando novamente a parte 1.ª Cap. II – Dos elementos Gerais do Universo, denotamos na questão 22, o anseio por uma definição de matéria.

"Define-se geralmente a matéria como sendo – o que tem extensão, o que é capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São exatas essas definições?" e a Espiritualidade responde: "Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria."

a) Que definição podeis dar de matéria? – " A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual atua, ao mesmo tempo, exerce sua ação."


Complementa ainda Kardec " Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito. 


A Ciência considera as seguintes propriedades da matéria:

Massa: - quantidade de matéria de um corpo.

Extensão: é a porção do espaço, ocupada pela matéria. Toda matéria ocupa um determinado lugar no espaço.

Impenetrabilidade: Duas porções de matéria não podem, ao mesmo tempo, ocupar o mesmo lugar no espaço.

Inércia: quando um corpo, formado naturalmente por matéria, está em repouso, é necessário uma força para colocá-lo em movimento. Se o corpo estiver em movimento, é necessário uma força para alterá-lo ou fazer o corpo parar. 

Divisibilidade: podemos dividir um corpo ou pulverizá-lo até certo limite. As partículas são formadas de partículas menores chamadas átomos. 

É interessante definir, também, que a Matéria é tudo o que possui massa e extensão. Corpo é uma porção limitada da matéria e Substâncias são as diferentes espécies de matéria. 

Os principais elementos constitutivos da matéria são as moléculas e os átomos, os quis se subdividem em partículas cada vez menores e que são objeto das mais recentes pesquisas pela ciência.

De acordo com as obras da Codificação, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo. Assim, não lhe é dado conhecer o princípio das coisas. Somente à medida que ele se depura é que o véu das coisas ocultas se levantam aos seus olhos, mas, para compreender certas coisas, necessita faculdades que ainda não possui. Em Obras póstumas, na 1.ª Parte, parágrafo 3.º encontramos: O princípio das coisas reside nos arcanos de Deus"

Ainda dentro deste Cap. II, é esclarecido que a matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.


Fluido Cósmico Universal: O Fluido Cósmico Universal, que também pode ser chamado de "matéria cósmica primitiva", é o elemento primordial gerador dos mundos e dos seres. Esse fluido preenche todo o universo. Podemos dizer que tudo se encontra mergulhado nesse fluido. 

Todos os corpos são formados desse elemento primitivo, que se modifica para dar origem aos corpos chamados simples. 

Este elemento primitivo é que determina as diversas propriedades que a matéria apresenta, devido as modificações que as suas moléculas elementares sofrem por efeito de sua união, em certas circunstâncias.

Esta matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e adquirir todas as propriedades, podendo dizer que tudo está em tudo. 

Dessa forma, o oxigênio, hidrogênio o carbono e todos os corpos que consideramos simples, são meras modificações de uma substância primitiva.

Segundo o que observamos quotidianamente, a matéria sofre temporárias transformações das quais resultam diferentes corpos, que incessantemente nascem e se destróem.

Embora esse Fluido Universal possa ser classificado como elemento material, ele está colocado entre o Espírito e a matéria, é fluido, é suscetível de inumeráveis combinações.

Esse Fluido Universal, também chamado de primitivo ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.

Formação dos Mundos e dos Seres Vivos:

Como produto que são da aglomeração e da transformação da matéria, os mundos hão de ter tido, como todos os corpos materiais, começo e terão fim, na conformidade de leis que desconhecemos. 

Até certo ponto, pode a ciência formular as leis que lhes presidiram a formação e remontar ao estado primitivo deles.

O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os serem animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que os enchem.

A razão nos leva a concluir que o Universo não pode ter se formado por si mesmo, nem por obra do acaso, mas que há de ser obra de Deus. Deus criou o Universo pela sua vontade onipotente.

Quanto ao modo de formação dos mundos o que podemos compreender é que eles se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço.

Deus renova os mundos, como renova os seres vivos; assim, um mundo completamente formado, poderá desaparecer e a matéria que o compõe disseminar-se de novo no espaço.

Houve tempo em que não existiam seres vivos na Terra; logo eles tiveram começo. Cada espécie foi aparecendo à proporção que o globo adquiria as condições necessárias à existência delas. 

A Terra continha os gérmens dos seres vivos que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinham afastados, e formaram os gérmens de todos os seres vivos. Estes gérmens permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram e, então, se multiplicaram. 

Os elementos orgânicos antes da formação da Terra, achavam-se em estado de fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra, para começarem existência nova em novo globo.

A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo da Terra.

Aparecimento do Homem na terra: Quanto à época do aparecimento do homem e dos outros seres vivos na terra, todos os cálculos humanos são quiméricos.

O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode-se dizer que os homens, uma vez espalhados pela terra, absorveram em si mesmos os elementos necessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis de reprodução. O mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.

O homem surgiu em diferentes pontos do globo e em várias épocas, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças, além dos fatores de clima, da vida e dos costumes.


Seres Orgânicos: Os seres que tem em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados à necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas.


Seres Inorgânicos: Os seres inorgânicos carecem de vitalidade, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar, etc.

A força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e inorgânicos é a mesma. A matéria que compõe esses corpos também é a mesma, porém, nos corpos orgânicos está animalizada pela sua união com o princípio vital. 

A vida é um efeito, devido à ação de um agente sobre a matéria que é o princípio vital. Esse princípio sem a matéria não é a vida, Ao mesmo modo que a matéria não pode viver sem ele. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam. 

O princípio vital se origina do Fluido Universal. É um só para todos os seres vivos, mas modificado segundo as espécies. É ele quem lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte.

Os Reinos da Natureza: Mineral, Vegetal e Animal, Œ Hominal Œ Angelical

Os seres da natureza estão classificados em três Reinos: Mineral, Vegetal e Animal.

O homem está incluído no último desses reinos, mas, considerando em sua integralidade, distingue-se o homem pela sua inteligência e racionalidade.

No homem brilha, pois, a luz da razão, que lhe faculta o conhecimento das leis universais e á qual se junta o senso moral, que o eleva a cima dos outros seres, pela percepção das Leis Morais e a intuição de Deus. Destaca-se o homem por atributos do Espírito, vindo a formas um quarto reino – o Hominal.

Entre os três reinos reconhece-se formas de transição de tal modo sutis que entre elas se torna ambígua a definição absoluta dos três reinos.

Há, porem, em caráter distintivo entre os seres minerais e os outros grupos: é a ausência de vida dos minerais e a presença dela nos vegetais e animais. Por isso, a divisão entre orgânicos e inorgânicos.

A presença de vida se traduz nos vegetais e animais pela organização celular da matéria de seus corpos e do aparecimento das grandes funções de nutrição e reprodução. Há uma infinidade de seres constituídos de uma única célula. São seres unicelulares vegetais – os protófitos, e animais – os protozoários. 

Em seres mais evoluídos, até os vegetais e animais superiores (metáfitas e metazoários), as células microscópicas se reúnem em tecidos, os tecidos em órgãos e estes em sistemas e aparelhos orgânicos. 

Os seres do reino mineral: só manifestam uma força mecânica, decorrente da matéria de que são formados. Apenas existem, inertes e brutos, falta inteligência e vontade, nem mesmo instinto revelam. Se algum princípio diferente da matéria existe, está completamente abafado, dorme, um estado de latência e inatividade. 

Os seres do reino vegetal: já apresentam o movimento interior da vida, realizando um completo ciclo vital: nascem, crescem, nutrem-se, desenvolvem-se, reproduzem-se e morrem. 

Além da matéria densa, apresentam um princípio sutil e dinâmico, o princípio vital. Entretanto esses seres não revelam também consciência alguma da sua existência. Não sentem prazer ou dor, não tem percepções ou sentimentos; só tem vida orgânica que lhes é comunicada por sua união com o princípio vital. 


Os seres que formam o reino animal: existem e vivem como os vegetais, mas acrescidos dos movimentos e as sensações. Ainda há a prevalência do instinto sobre a inteligência. Pelo corpo material o homem se assemelha aos animais, deles se distinguindo totalmente pela sua natureza espiritual, pela sua alma, que lhe confere razão e senso moral. O Homem tem ainda a faculdade de pensar em Deus.


A alma dos animais após a morte do corpo físico: Após a morte do corpo físico, a alma dos animais conserva sua individualidade; quanto a consciência de seu "eu", não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.

A alma do animal após a destruição do corpo físico, fica numa espécie de inatividade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito Errante. O Espírito Errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. Os animais não dispõem de idêntica faculdade.

A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. 


Não há delimitação nitidamente marcada entre Reino vegetal e Animal. Nos confins dos dois estão os zoófitos ou animais-plantas, traços que indicam participarem de um e de outro reino.

O zoófito tem a aparência exterior da planta, mantendo-se preso ao solo e, como animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua alimentação. Num degrau acima o animal é livre e procura o alimento. 

As espécies seriam produtos das transformações sucessivas dos seres orgânicos elementares, quando encontraram condições atmosféricas propícias. Adquirem a seguir, a faculdade de reproduzirem-se.

Acompanhando a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior.

O Princípio Inteligente distinto do princípio material, se individualiza e elabora, passando pelos diverso graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para vida e se desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria o período de incubação. Chagada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, ela comporta as faculdades iniciais que constituem a alma humana.

Haveria assim, filiação espiritual do animal para o homem, assim como há filiação corporal.

O Espírito não chega a receber a iluminação Divina, que lhe dá, simultaneamente, como livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série de seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra de sua individualização. 

Reino Angelical: Dentro da escala evolutiva, poderíamos considerar os Espíritos de Primeira Ordem – Espíritos Puros.

Características gerais: nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens. 

Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma da perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos á reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus. 

Essa felicidade, porém, não é a de ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua contemplação. Eles são os mensageiros e os Ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhe são inferiores, auxiliam na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima. São designados às vezes pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins.

A COMUNHÃO COM DEUS







A Prece:

A quem conteste a eficácia da Prece. Dizem: conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna mostrá-la.

A verdade é que a prece proporciona a quem ora, um bem estar incalculável já que aproxima a Criatura do Criador.


"A prece é o orvalho Divino que aplaca o calor excessivo das paixões".


Não existe qualquer fórmula para orar.

O Espiritismo reconhece como boas as preces de todos os cultos, quando ditas de coração e não somente com os lábios.

A qualidade da prece é ser clara simples e concisa.

A prece pode ter como objeto um pedido, um agradecimento ou uma glorificação.

As preces feitas a Deus, escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de suas vontades (de Deus).


Ä Tipos de Prece:

No livro "Estudando a Mediunidade" (psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de André Luiz), p. 174 à 176, são mencionados os seguintes tipos de preces:


Vertical - expressa aspirações elevadas.

Horizontal - encontra ressonância entre aqueles Espíritos ainda ligados aos problemas terrestres, vivendo, portanto, horizontalmente.

Descendente - a essa não daremos a denominação de "prece", substituindo-a por "invocação", consoante aconselha o Ministro Clarêncio no livro "Entre a Terra e Céu" (psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de André Luiz). Nesta a resposta virá de entidades de baixo tom vibratório.


Nossas preces encontrarão sempre a resposta dos nossos afins, dos que comungam conosco tais ou quais idéias, tais ou quais objetivos.

Quando Jesus nos disse: "Tudo o que pedirdes com fé, em oração, vós o recebereis" (Mateus, 21:22).

Desta afirmação, podemos concluir que:

"Concedido vos será o que quer que pedirdes pela prece"

Seria ilógico deduzir que basta pedir para obter, bem como, também seria injusto acusar a Providência de não atender a toda súplica que se lhe faça.

É como procede um pai criterioso que recusa ao filho o que seja contrário aos seus interesses.

O santuário doméstico que encontre criaturas amantes da oração e dos sentimentos elevados, converte-se em campo sublime das mais belas florações e colheitas espirituais.

Falamos a Deus dos nossos problemas, suplicamos que Ele nos ilumine o entendimento, para que saibamos receber dignamente as decisões.


Em verdade, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

"Orando, o Cristo falava ao Pai. No intervalo da oração, escutava Deus."


A prece, em verdade, não pode mudar as leis imutáveis; ela não poderia, de maneira alguma, mudar nossos destinos; seu papel é proporcionar-nos socorro e luzes que nos tornem mais fácil o cumprimento da nossa tarefa terrestre.


Pergunta 658 de "O Livro dos Espíritos": A prece é agradável a Deus?

R. - A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele...


Pergunta 660 de "O Livro dos Espíritos": A prece torna o homem melhor?

R. - Sim, porque aquele que faz a prece com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.


O essencial não é orar muito, mas orar bem.

A prece não pode ter o efeito de mudar os desígnios de Deus, mas a alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse que se lhe dá e porque o infeliz é sempre consolado, quando encontra almas caridosas que compartilham as suas dores...


Ä A Fé e o seu poder:

Fé, no sentido comum, corresponde à confiança em si mesmo. Fé, crença desta ou daquela religião: fé judaica, fé budista, fé católica etc.

Existe também a fé pura, difícil de ser encontrada, por ser uma conquista lenta, fruto de experiências de várias vidas.

Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer:

"Eu creio , mas afirmar, eu sei".


A fé pode ser Raciocinada ou Cega.


Fé Cega: aceita sem verificação nenhuma, assim o verdadeiro como o falso. levado ao excesso, produz o fanatismo.

Fé Raciocinada: se baseia na verdade, garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana.


A principal condição da verdadeira fé é, pois, ser raciocinada.

Outra condição é prender-se à verdade, não se compactuando, nunca, com a mentira.

A fé verdadeira não se conquista de uma hora para outra. É trabalho do tempo, de experiências vivenciadas.

Em certas pessoas, a fé parece de algum modo inata, sinal evidente de anterior progresso. Em outras pessoas, ao contrário, elas dificilmente penetram, estão com a educação por fazer.

Inspiração Divina, a fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem. É a base da Regeneração.


Fé sincera: empolgante, contagiosa, comunicativa.

Fé aparente: é indiferente, apenas usa de palavras sonoras que deixam frio quem as escuta.


Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade.


Em Mateus (Evangelista Mateus) Cap. 17, versículos 14-20, Marcos Cap.9 v.v.14-29, Lucas Cap. 9, v.v. 37-93.

Um certo pai procura Jesus, pedindo para curar seu filho obsidiado, já que os discípulos não conseguiram.

Jesus cura o enfermo.

Os discípulos perguntaram: porque não pudemos curá-lo, Jesus respondeu: - por causa da vossa incredulidade.

Se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada seria impossível...

"Tudo é possível àquele que crê" o pai do menino do relato acima exclama "Creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade!


Ä O Homem e o Sentimento Religioso:

O sentimento religioso, nasce com o indivíduo. Existiu em todos os povos, se bem que sob formas diferentes.

Podemos dizer que nunca existiram povos ateus, pois este sentimento é inato no ser humano.

Ora, por medos decorrentes das forças desorganizadas das eras primeiras da vida. Dessas forças, surgiram as diferentes formas da apaziguar a fúria dos seus responsáveis.

Mediantes cultos que se transformariam em Religiões com as suas variadas cerimonias, cada vez mais complexas e sofisticadas...

Nas raças bárbaras proliferaram as idéias terroristas de um Deus, cuja cólera destruidoras se abrandaria à custa de sacrifício humanos.

Hoje, mais facilmente entendemos que "a adoração verdadeira é do coração".

E posto que Deus é Amor, não há como adorá-lo senão: amando-nos uns aos outros", pois como sabiamente nos ensina João o apóstolo Cap.4:v.v. 20):

- Se o homem não ama a seu irmão, que lhe está próximo, como pode amar a Deus, a quem não vê?


Ä Amor a Deus, Adoração:

O conhecimento da verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais essencial, de mais necessário, porque é ele que nos sustenta, nos inspira e nos dirige, mesmo à nossa revelia.

"(...) Deus é o Espírito de Sabedoria, de Amor e de Vida, o poder infinito que governa o mundo (...)

Só gradualmente vamos entendendo Deus na sua essência, na medida que desenvolvemos as nossas capacidades perceptivas.


Deus é o princípio, é o absoluto, o infinito, o eterno. Deus é conceito e matéria, principio e forma, causa e efeito...

O homem que nega a Deus encontra-se, transitoriamente, envolvido pelo manto da ignorância.

Da paternidade de Deus decorre a fraternidade humana.

Espíritos mais evoluídos adoram Deus em Espírito.

Os involuídos, necessitam de uma imagem material, não é uma mentira consciente. É uma tradução da linguagem espiritual, que lhe é incompreensível, em uma linguagem concreta, a ele acessível.

assim ele pode ver e tocar as imagens de Deus.


A evolução leva cada vez mais a sentir Deus, não apenas transcendente, mas também imanente.

O indivíduo espiritualizado acabará por sentir a presença Dele não somente em si, mas em torno de si.

Então se descobrirá que Deus está em toda parte, que o seu templo é o universo, seu altar pode ser o coração do homem.


Ä Vida Contemplativa:

Nenhum mérito trás a vida contemplativa. Portanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem, são inúteis.

Demais, não fazer o bem já é um mal. Há momentos na vida que se faz necessário a prática da meditação.

São momentos breves, dentro do cotidiano da nossa existência. Deus quer que o homem pense nele mas não quer que só nele pense, pois lhe impôs deveres a cumprir na terra.

DEUS





Introdução: 


Toda doutrina tem os seus princípios básicos que vão fundamentando os demais princípios, em uma seqüência lógica. 

Em se analisando os princípios da Doutrina Espírita, encontramos em primeiro lugar, o princípio da existência do Eterno Criador. 

Ä Deus Criador:

Deus é o criador de tudo o que existe.

de todas as criaturas; 
da Natureza; 
do Universo, com todas as suas leis harmônicas. 
Ä Definição de Deus:

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, propõe, na primeira pergunta de "O Livro dos Espíritos" (primeira obra da codificação, editado em 1.857), uma questão direta sobre a Divindade: "Que é Deus ?" Cabe observar-se que Allan Kardec, intencionalmente, pergunta "Que é Deus?", ao invés de "Quem é Deus?", justamente para não induzir a uma personificação ou uma idéia antropomórfica, ou seja, que lembra o aspecto ou a forma de um homem. Perguntado "Que é Deus?", ele busca a sua essência. E a espiritualidade, nos proporciona a mais clara, sintética e precisa definição que conhecemos até hoje: "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

Ä Da Natureza Divina:

No atual estágio de evolução que se encontra o ser humano, não lhe é possível compreender a natureza íntima de Deus.

Conforme verificamos em "A Gênese" (quinta obra da codificação, editada em 1.868), cap. II, item 8, há as seguinte referências à natureza Divina:

"Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito." 

Ä Deus entendido como nosso Pai:

A idéia de Deus como sendo o nosso Pai, nos foi trazida por Jesus. Podemos encontrar em "A Gênese" (quinto livro da Codificação Espírita/1.868), no cap. I, item 23 essa referência: "A parte mais importante da revelação do Cristo, no sentido de fonte primária, de pedra angular de toda a sua doutrina, é o ponto de vista inteiramente novo sob que considera Ele a Divindade ... Um Deus clemente, soberanamente justo e bom, cheio de mansidão e misericórdia ... O Pai comum do gênero humano que estende a sua proteção por todos os seus filhos e os chama todos a si ...".

Encontramos ainda, no item 25: "Toda a doutrina do Cristo se funda no caráter que Ele atribui à Divindade. Como um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e misericordioso, ele fez do amor de Deus e da caridade para com o próximo a condição indeclinável da salvação, dizendo: Amai a Deus sobre todas as coisas e o vosso próximo como a vós mesmos; nisto estão toda a lei e os profetas...". 

Ä Atributos de Deus: Primeiro momento.

Na infância da Humanidade, confundiram os homens o Criador com as criaturas, cujas imperfeições lhe eram atribuídas. Mas, a medida em que o senso moral se desenvolver, terão os homens melhores condições de entender a essência das coisas e, como conseqüência, poderão fazer uma idéia mais justa da Divindade.

No momento atual, é importante que sintamos Deus como o nosso Pai Criador, soberanamente justo, bom e misericordioso.

Podemos de um modo geral, em um primeiro momento, elencar como atributos de Deus:

AMOR – Como Pai, ama seus filhos providenciando para que a natureza possa prover nossas necessidades. Nos dá a inteligência para o nosso progresso. 
SABEDORIA - Leis sábias e justas que regem todas as relações, todas as coisas, todo o Universo. 
JUSTIÇA – Ele nos criou para progredirmos sempre. Ele nos concede pela Reencarnação (processo através do qual é concedido ao Espírito uma nova oportunidade de retornar a um novo corpo físico, especialmente preparado para ele) o ensejo de corrigirmos erros e imperfeições, de quitarmos débitos e continuarmos o aprendizado rumo à perfeição que é a nossa meta final. 
Ä Atributos de Deus: Segundo momento.

Aprofundando um pouco mais a análise, e de acordo com a conceituação espírita, podemos elencar como atributos de Deus:

Deus é a suprema e soberana inteligência:

Antes de analisarmos este atributo de Deus, é importante compreender o significado de duas palavras: 

Suprema - s. f. Superioridade; poder ou autoridade suprema; preponderância; proeminência; hegemonia; primazia. (De supremo.)

Soberana: 1. adj. Que ocupa o primeiro lugar; o mais elevado ou graduado em seu gênero; que se acha revestido de autoridade suprema; que exerce um poder supremo, sem restrição nem neutralização; absoluto; magnífico; supremo; (Do b. lat. superanu.) 

Pela análise das palavras, já podemos ter uma idéia da inteligência Divina.

A inteligência do homem é limitada, pois que não pode fazer, nem compreender tudo o que existe. 

A inteligência de Deus, abrangendo o infinito, é também infinita. Se a sua inteligência fosse limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer o que o primeiro não faria e assim por diante. 

Deus é eterno:

Devemos entender como eterno o que não teve princípio, nem terá fim.

Se Deus tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior e, nesse caso, esse ser é que seria Deus. 

Deus é único:

A unicidade de Deus é conseqüência do fato de serem infinitas as suas perfeições. A ignorância deste atributo de Deus, foi o que gerou o politeísmo (crença em vários deuses), culto adotado pela maioria dos povos primitivos, que davam o atributo de divindade a todo poder que lhes parecia acima dos poderes inerentes à humanidade.


Deus é imutável:

Entendemos como imutável, o que não se altera.

Se Deus estivesse sujeito a mudanças/alterações, por influenciações outras, poderíamos supor que aquilo que o está influenciando, lhe poderia ser equiparado e, se assim fosse, a sua inteligência não seria suprema nem soberana. Além do que, se Deus estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

Deus é imaterial:

Assim o podemos dizer porque a sua natureza difere de tudo o que "chamamos matéria". Se a sua natureza fosse material, ele estaria sujeito às próprias transformações da matéria (o que seria contraditório ao seu atributo de imutabilidade).

Deus não tem uma forma apreciável aos nossos sentidos, pois se assim fosse, seria matéria. No entanto, todos nós já ouvimos expressões do tipo "a mão de Deus", "os olhos de Deus", "o braço de Deus", etc. Nestes casos, é que o homem, ainda nada mais conhecendo além de si mesmo, toma a si próprio por termo de comparação para tudo o que não compreende. Logo, a imagem de Deus, representada pela figura de um ancião, de longas barbas brancas e envolto num manto, é uma concepção puramente humana, não correspondendo em nada com a sua real natureza.

Segundo "A Gênese", cap. II, item 12, esta imagem tem até o inconveniente de rebaixar o Ente Supremo até as mesquinhas proporções da Humanidade. 

Deus é onipotente:

Mais uma vez, busquemos no dicionário a significação desta palavra:

Onipotente: 1. adj. 2 gên. Que tem poder ilimitado; Todo-Poderoso. (Do lat. omnipotente.) 

2. s. m. Deus.

Se Deus não possuísse o poder supremo, sempre se poderia conceber uma entidade tanto ou mais poderosa do que Ele. Todo o poder está em Deus. 

Deus é soberanamente justo e bom: 

A providencial sabedoria das Leis Divinas, se revela das pequeninas, às maiores coisas.

A soberana bondade implica na soberana justiça, porquanto, todos os seres foram criados da mesma forma, não havendo parcialidade, nem tratamento diferenciado com relação a qualquer de suas criaturas. 

Deus é infinitamente perfeito:

É impossível conceber-se Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. 

Sendo infinitos os atributos de Deus, não são suscetíveis nem de aumento, nem de diminuição.

Esses são os atributos principais, podendo, no entanto, ser mencionados ainda outros, porém como derivações ou já subentendidos nos anteriores.

Desta forma, temos que: Deus é Onisciente: - adj. 2 gên. Que tudo sabe; cujo saber é ilimitado; Deus é Onipresente: no sentido de que se encontra em todos os lugares, etc. 

Em "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, na questão n.º 11, indaga: "Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?", a que os Espíritos responderam: "Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá."

Então, na própria idéia de Deus, com essência puramente espiritual, e na possibilidade de um dia chegar a vê-LO e compreendê-LO – quando se tornar Espírito puro e perfeito – está delineada para o homem, toda uma perspectiva de trabalho e de esperança: de degrau em degrau ele progredirá e, evoluindo espiritualmente, adquirirá novos e mais aperfeiçoados sentidos até conquistar um puro sentido espiritual que lhe permitirá por-se em relação com Deus, vendo-O, ouvindo-O e compreendendo-LHE a Divina Vontade. 

Ä Provas da Existência de Deus:

No conjunto imenso de mundos e coisas que constituem o Universo, tal é a grandeza, a magnitude, e são tais a ordem e a harmonia, que, tudo isso, pairando infinitamente acima da capacidade do homem, só pode atribuir-se à Onipotência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio, Criador necessário de tudo que existe.

Deus, porém, não pode ser percebido pelo homem em sua divina essência. Mesmo depois de desencarnado, dispondo de faculdades perceptivas menos materiais, não pode ainda a espírito imperfeito perceber totalmente a natureza divina.

Pode, entretanto o homem, ainda no estágio de relativa inferioridade em que se encontra, ter convincentes provas de que Deus existe, mas advindas por dois outros caminhos, que transcendem aos dois sentidos: o da razão e o do sentimento. 

Racionalmente, não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando o Universo imenso, a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia a que obedece a marcha dos mundos inumeráveis; olhando ainda os seres da natureza, os minerais com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal em sua exuberância, a fragrância das flores, a variedade quase infinita de plantas, o reino animal em toda a sua beleza; sondando também o mundo microscópio com incontáveis formas unicelulares. Toda essa imensidão, profusão e beleza nos obriga a crer em Deus, como causa necessária. Mas se preferirmos contemplar apenas o que é o nosso próprio corpo, quanta harmonia também divisaremos na nossa roupagem física, nas funções que se exercem à revelia de nossa vontade num ritmo perfeito. Nas maravilhas que são os nosso sentidos. Toda essa perfeição, a harmonia da natureza humana e do mundo exterior ao homem, só pode ser criação de um Ser Supremamente inteligente e sábio, o qual chamamos Deus. 

No entanto, é pelo sentimento, mais do que pelo raciocínio, que o homem pode compreender a existência de Deus. Há no homem, desde o mais primitivo até o mais civilizado, a idéia inata da existência de Deus. 

A Doutrina Espírita, tem na existência de Deus o princípio maior e Ele se encontra por isso mesmo, na base da Doutrina. 

Encontramos em "O Livro dos Espíritos", nas questões 04 à 09, o subtítulo "Provas da existência de Deus".

A questão n.º 04 é muito esclarecedora: "Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus? – a que a espiritualidade responde: "Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá. 

E complementa Kardec à título de observação, com relação a essa questão: "Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

León Dennis, no seu Livro "Depois da Morte", no capítulo que trata do Universo e Deus, nos relata:

"O telescópio sonda os céus, em parte alguma do Universo encontra limites; sempre mundos sucedendo a mundos, e sóis a sóis; sempre legiões de astros multiplicando-se, a ponto de se confundirem em poeira brilhante nos abismos infindáveis do espaço ..."

"E o corpo humano não é uma laboratório vivo, um instrumento cujo mecanismo chega à perfeição? ..."

"O espetáculo da Natureza, o aspecto dos céus, das montanhas, dos mares, apresentam ao nosso espírito a idéia de um Deus oculto no Universo ..."

"A razão, igualmente nos fala de Deus. Os sentidos fazem-nos conhecer o mundo material, o mundo dos efeitos: a razão revela-nos o mundo das causas ..."

"Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras ..."

E, no Livro "A Gênese", Cap. II – Deus, nos é ensinado que:

"A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada não só pela revelação, como pela evidência material dos fatos." 

Ä A Providência Divina:

Providência é a suprema sabedoria com que Deus conduz todas as criaturas.

Providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais ínfimas. É nisto que consiste a ação providencial.

Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do alto da imensidade. As nossas preces, para que Ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.

Examinemos esta questão através de um modo figurado:

A natureza inteira está mergulhada no fluido Divino, logo tudo e todos estamos imersos nesse fluido. O ser, por mais ínfimo que seja, está saturado desse fluido Divino. Achamo-nos então, desta forma, constantemente, na presença da Divindade; nenhuma de nossas ações foge ao seu conhecimento; o nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento, havendo pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos sentimentos no nosso coração. 

Por isso é que dizemos que Deus está em toda parte, na Natureza, em todos os lugares. Assim como o Espírito está em todas as partes do corpo – todas as células do corpo estão em contato com o ser espiritual, todos os elementos da criação, se acham em relação constante com Ele. 

Um membro se agita: o Espírito o sente; uma criatura pensa: Deus o sabe. As diferentes criações, as diferentes criaturas se agitam, pensam, agem diversamente: Deus sabe o que se passa e assina a cada um o que lhe diz respeito. 

A ação de Deus de desvela no Universo, tanto no mundo físico quanto no mundo moral e não há um único ser que não seja objeto de sua solicitude. 

Ä O Infinito e o Espaço Universal: 

O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como os fluidos que o preenchem. O espaço universal é infinito e nele não existe o vácuo.

Em "O Livro dos Espíritos", questão n.º 35 é indagado à Espiritualidade se o espaço universal é infinito ou limitado, ao que Eles respondem: "Infinito. Supõe-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que voz achais que podereis compreendê-lo."

Por esta resposta, está bem claro que o espaço é Infinito. Que se deve, entretanto, entender por infinito? Disseram-nos também os Espíritos, na resposta à pergunta n.º 02 de "O Livro dos Espíritos" – "O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito".

E, em seqüência, na questão n.º 03 é perguntado à Espiritualidade se poder-se-ia dizer que Deus é infinito, ao que Eles respondem: "Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens". A esta questão, acrescenta Kardec em comentário próprio: "Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a primeira."

Fechando o subtítulo do espaço universal, a questão n. 36 de "O Livro dos Espíritos" esclarece que não existe o vácuo, pois o que parece vazio está na realidade ocupado por matéria, porém essa matéria nos escapa dos sentidos e dos instrumentos. 

Ä Materialismo e Panteísmo:

Apesar de todas as razões que levam convictamente à crença de que Deus Existe, como causa transcendente necessária do Universo, com os atributos de suprema inteligência, onipotência, bondade e justiça perfeitas, e infinito em todas as suas perfeições, há homens, e sempre os houve, que negam a Divina existência. O seu ateísmo disfarçado ou sincero, mas que é sempre conseqüência da arrogância, da presunção e do orgulho, leva-os a negar a existência de todo Espírito no Universo, tanto o Espírito Divino como o que em si mesmo existe e é sede da própria inteligência e da consciência de cada um; isto é, negam a existência da alma humana como individualidade independente da matéria corporal e a ela sobrevivente, considerando-a apenas como resultante da organização cerebral altamente evoluída do "Homo Sapiens". 

Materialismo: 

É a doutrina filosófica segundo a qual não existe essencialmente no Universo coisa alguma além da matéria, quer como causa, quer como efeito. Implica um sistema dos mundos em que o fundamento único é a matéria, incriada e eterna, isto é, existente por si mesma, necessária e suficiente, sem interferência alguma de Deus.

O Materialismo como doutrina, ensino ou escola, nasce, praticamente, com Tales de Mileto, na antiga Grécia, por volta do Século VI a. C. 

No longo período que constituí a Idade Média, o materialismo foi sofrendo algumas alterações, porém sempre rejeitando a idéia de um Criador supremo para todas as coisas. 

Panteísmo: 

Segundo essa Doutrina, entre os quais avulta a mentalidade vigorosa de Spinozza, Deus, sendo embora o Ser supremo, não é, entretanto, um ser distinto, pois consideram-no resultante da reunião de todas as forças, todas as inteligências de Universo. 

Sente-se desde logo, a inconsistência de uma tal doutrina que, se verdadeira, derrogaria os mais necessários dos atributos de Deus: ser eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom .

Comenta Allan Kardec com relação a esta doutrina, que ela faz de Deus um ser material, sujeito a todas as vicissitudes e necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Acrescenta ainda, que não podemos aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus. Essa Doutrina confunde o Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a imaginou ou a construiu. 

A inteligência de Deus se revela em suas obras como a de um pintor no seu quadro; mas, as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

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Poema de João de Deus – do Livro Antologia da Criança, psicografado por Francisco Cândido Xavier.






Bibliografia

O Livro dos Espíritos – Parte Primeira – Das Causas Primárias – Perguntas 01 à 16; 50 à 51; 

A Gênese – Cap. I, 10 à 16; 20; 24. Cap. II itens 1 à 7; 8 à 19; 

O Grande Enigma – Ação de Deus no Mundo e na História; Necessidade da idéia de Deus; Notas complementares – Léon Denis.

Deus na Natureza – Camille Flammarion.

Depois da Morte – Livre-arbítrio e providência – Léon Denis.

Estudos Espíritas – Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito de Joanna de Ângelis – Cap. I, p. 17 à 23.

O Céu e o Inferno – Doutrina das penas eternas – Parte I, cap. VI, itens 10 à 16.

Obras Póstumas – Deus - Parte I, item 2.